29/04/07
Comissão inicia debates sobre mudanças climáticas
A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados realizou dia 29 deste mês, audiência pública para esclarecimentos acerca das previsões sobre o aquecimento global do Painel Inter governamental sobre Mudanças do Clima (IPCC), atendendo ao requerimento de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg.
Estiveram presentes os Senhores Ruy Barros (Secretário do Ministério do Meio Ambiente) representando a ministra Marina Silva; Carlos Nobre (pesquisador do INPE); Murilo Flores (pesquisador do Epagri) e José Marendo (INPE).
A audiência começou com a exposição do Sr. Ruy Barros, que procurou pontuar as ações do ministério do meio ambiente sobre o tema. Lembrando que o aquecimento global não é uma preocupação futura, mas uma realidade atual, o secretário comentou que as reduções na emissão de gases que provocam o efeito estufa é a nova meta de todos os países do mundo.
Apenas os países que compõem o chamado Anexo 01, com quantidade de emissão per capita substanciais, têm metas reais a alcançar. Segundo o Protocolo de Kyoto, o Brasil não tem metas de redução de emissão a serem cumpridas, mas já faz diversas ações para melhorar a mitigação. A principal ação é a redução do desmatamento, que segundo o secretário já chega a 51% em relação ao início do governo Lula. O maior problema é o custo da redução e fiscalização que é muito alto.
O Brasil ainda tem esforços que de 1994 para cá, através do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), conseguiu chegar a 10% de redução de emissões de gás que provocam o efeito estufa. O país ainda tem a vantagem de ter uma das mais limpas matrizes energéticas do mundo, com 43% da energia vindas de fontes renováveis e com perspectivas boas para o futuro, já que o Etanol, que é considerado uma das saídas para o problema, está bem desenvolvido com 24% da gasolina composta por álcool, que libera CO2 na queima, mas tem compensações com o crescimento da cana-de-açúcar. Lembrou ainda o secretário que o risco existente em transformar grandes partes do país em monocultura de cana-de-açúcar, com graves prejuízos ao meio ambiente, é menos danoso do que os problemas advindos da utilização de combustíveis fósseis.
Em seguida se apresentaram os 03 pesquisadores convidados, que ressaltaram os problemas decorrentes do aquecimento global e destacaram os riscos que corre o país.
O Sr. Carlos Nobre demonstrou que as mudanças não são apenas climáticas, mas também ambientais. São mudanças reais, graves e que estão acontecendo muito rapidamente, e irão afetar principalmente os países mais pobres. O pesquisador diz ainda que o Brasil está muito bem em relação ao índice de emissão per capita, com 0,4 tonelada por ano, mas a esse número for incluído o desmatamento, que produz grande quantidade de CO2, o país pula para 1,5 tonelada per capita por ano.
O Sr. Murilo Flores trouxe um estudo realizado pelo governo do estado de Santa Catarina sobre as conseqüências do aquecimento global, realçando que diversas culturas, principalmente a da banana, irão se inviabilizar no estado devido ao aumento da temperatura. Elencou diversos dados que demonstram as preocupações do estado e fenômenos naturais novos como o furacão Catarina (primeiro furacão registrado no Atlântico Sul), como possível conseqüência do aquecimento global.
O Sr. José Marengo demonstrou preocupação com a desertificação do Semi Árido nordestino, além de apontar para a transformação de grande parte da Amazônia em cerrado. O pesquisador trouxe também diversos dados sobre possíveis elevações na temperatura mundial e quais as conseqüências para certas regiões litorâneas, como a cidade do Rio de Janeiro.
Para o Sr. Marengo, o nível do mar pode subir alguns metros, engolindo as praias e até avenidas de cidades da costa do Brasil, gradativamente como já pode ser observado em algumas praias do país.
Está previsto para o mês de junho um seminário internacional para debater o tema.
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